domingo, 5 de julho de 2026

Soneto IV



 Efemeridades


Tudo em nós segue breve e derradeiro, 

sem freio algum, sem pausa ou resistência; 

corre veloz o trem da existência,

rumando sempre ao porto derradeiro.


Não vence o tempo o brilho passageiro,

nem ouro algum disfarça a consciência; 

desfaz-se a ilusão da permanência, 

pois tudo finda no final roteiro.


Da vida levo apenas a verdade: 

o que se vive é tudo quanto vem,

sem promessa de eterna claridade.


E, à beira da estação que a idade tem,

amanheço esperando o trem 

que não traz o vagão da mocidade.


Frangriot 

(Cultivador das Miudezas Poéticas)

10/nov./24 

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